Oxalá
O maior dos orixás funfun (do branco): pai da criação, modelador dos corpos humanos, senhor da paz e da serenidade. Desdobra-se em Oxaguiã (jovem) e Oxalufã (ancião). Saudação: "Epa Babá!".
Quem é
Oxalá (Ọbatálá, “rei do pano branco”; também Orixalá) é o maior dos orixás funfun — os orixás “do branco”, da paz e da criação. É o pai do panteão e da humanidade: foi ele quem, por encargo de Olódùmarè, modelou os corpos humanos a partir do barro (o mesmo barro que é de Nanã), antes que o sopro da vida os animasse.
Tudo o que é branco, sereno e elevado lhe pertence: a calma, a brancura, a velhice sábia, a dignidade. É o orixá da serenidade — avesso à pressa e à violência. Seus filhos e devotos vestem branco e cultivam a paciência e a paz que ele encarna.
Oxaguiã e Oxalufã
Oxalá se manifesta em dois grandes aspectos, e ambos são o mesmo orixá:
- Oxaguiã (Ọbatálá Àjàgùnnà) — a face jovem e guerreira, o senhor do inhame pilado, ativo e vigoroso.
- Oxalufã (Ọbatálá Òṣèèrèmàgbò) — a face anciã, curvada, que caminha devagar apoiada no opaxorô; senhor da paz e da experiência.
A diferença entre os nomes é de idade e aspecto, não de identidade: é um só Oxalá em dois tempos da vida.
Domínios
- Criação — a modelagem da forma humana, o ato criador delegado.
- Paz e serenidade — a calma, a brandura, a recusa da violência.
- Brancura e pureza — o branco como cor da elevação e da dignidade.
Perspectiva do jogo
Oxalá é o demiurgo benevolente — o modelador dos corpos por encargo da fonte suprema. Isso o coloca em diálogo direto e contrastante com o tema gnóstico central da Wiki: enquanto o Demiurgo gnóstico (Yaldabaoth/Enki) molda o mundo material por ignorância, Oxalá o faz por mandato e amor. Duas leituras do mesmo gesto de dar forma à matéria.
Veja também
- Nanã
- Orunmilá
- Olódùmarè (princípio-fonte iorubá)
- Gnosticismo