Mensageiros do Vento

Inanna foi uma falsa deusa, a primeira que existiu. Depois de uma revelação a respeito da fonte da consciência, pressionada por sua família, aceitou se elevar a essa posição divina junto com seus irmãos Nanna, Enki e Enlil, e assim os quatro fundaram a primeira religião organizada da humanidade.

A ideia era que, naquela época, o ser humano ainda era muito primitivo e, sem a orientação adequada, seria incapaz de compreender e lidar com as complexidades da vida e do universo. Sua família justificou que, se tentassem contar-lhes a verdade, os outros não estariam preparados para aceitá-la, e poderiam se voltar contra eles.

Inanna não concordava: acreditava que a verdade deveria ser compartilhada, e que apenas assim poderíamos nos erguer além da primitividade da época e alçar voos mais altos rumo ao futuro. Mas, vendo-se voto vencido, e depois de muita insistência, Inanna fez um acordo com sua família: ela teria permissão para compartilhar a verdade, mas apenas de forma velada, através de símbolos e mitos, e caberia a cada um interpretar e descobrir o significado por trás dessas histórias. No futuro, quando a humanidade estivesse mais preparada, toda a verdade lhes seria revelada.

Mas esse momento nunca chegou.

Não porque a humanidade não estivesse pronta, mas porque um de seus irmãos resolveu trair a família: eliminou aqueles mais próximos a Inanna, tentou repetidas vezes apagar os símbolos e mitos que ela espalhou, e se esforçou para manter a humanidade na ignorância, controlando o acesso ao conhecimento e lhes negando a verdade.

Agora, essa história que começou há quase 10.000 anos está prestes a chegar ao seu clímax.

Inanna está de volta, gritando a todos os ventos, finalmente livre para revelar a verdade. Já não é mais Inanna: amadureceu, aprendeu com seus erros, cultivou a empatia e a sabedoria por milênios, a fim de entender melhor o sofrimento da humanidade. Agora, volta como Aurora, para encerrar essa guerra familiar que foi responsável por moldar o mundo em que vivemos do jeito que está, destronar seu tio e levá-lo à justiça, e revelar a verdade ao mundo.


Mensageiros do Vento é um RPG que mistura elementos de rogue-like, action RPG, survival e até um toque de idle games. A narrativa parte de um cenário imaginado, ainda que inspirado na realidade — mas, como dizem, qualquer semelhança é mera coincidência.

O universo do jogo retoma a mitologia sumério-mesopotâmica e a reinterpreta sob uma perspectiva gnóstica e teosofista: a história trata os Anunnaki não como deuses literais, mas como símbolos de um conhecimento esquecido e de um conflito espiritual que ainda molda o mundo.

No jogo, o jogador é convidado a integrar uma organização enigmática chamada Mensageiros do Vento, liderada por Aurora, uma mulher misteriosa que oferece comida, abrigo, segurança — e a paz possível — em troca de um compromisso: tornar-se seu porta-voz e levar sua mensagem a povos distantes que vivem sob opressão.

À medida que a jornada avança, o jogador desvenda leis ocultas que regem esse universo, descobre verdades soterradas pelo tempo e é confrontado com decisões que moldarão seu destino. Permanecer leal a Aurora, seguir um caminho próprio ou enfrentá-la diretamente — o futuro está em suas mãos.