Nanna

Deus da lua e do tempo cíclico. Primogênito de Enlil e Ninlil, pai de Inanna e Utu. Em acadiano, Sin (ou Su'en).

Estela de Ur-Nammu (~2100 a.C.) — registro do rei recebendo investidura do deus-lua
Estela de Ur-Nammu (~2100 a.C.) — registro do rei recebendo investidura do deus-luaPenn Museum via Wikimedia Commons

Etimologia

Nanna é nome sumério antigo para a lua. Em paralelo aparece Suen (sumério tardio), que em acadiano vira Sin (escrito Su’en). Nas listas mais arcaicas, Nanna e Suen aparecem como nomes alternativos do mesmo deus, embora alguns textos os tratem como aspectos distintos (lua-cheia / lua-crescente).

Atributos e papel

Nanna é a lua personificada. Mais que a luz noturna, é o tempo cíclico: o mês mesopotâmico era lunar (29-30 dias), a divinação astral tinha a lua como referência principal, os calendários religiosos giravam em torno das fases de Nanna. É também pai de Inanna (Vênus) e de Utu (Sol) — gerador dos astros visíveis mais brilhantes depois dele mesmo.

Iconograficamente, é representado como velho barbudo de turbante, ou simplesmente pela lua crescente sobre um pedestal.

Centro de culto

Ur — uma das cidades-estado mais importantes da Suméria, na boca do Golfo Pérsico. O templo de Nanna em Ur, o E-kishnugal, foi o santuário central por mais de dois mil anos. Ur-Nammu (~2100 a.C.), fundador da III dinastia de Ur, construiu a famosa Ziggurat de Ur dedicada a Nanna — ainda hoje uma das mais bem preservadas do mundo.

Um segundo centro importante é Harrã, no norte da Mesopotâmia (sul da atual Turquia), onde o culto de Sin manteve-se vivo até o período romano, séculos depois da queda da Babilônia.

A filha do rei Sargão de Acádia, Enheduanna (~2300 a.C.) — a primeira autora nomeada da história — foi en (alta sacerdotisa) de Nanna em Ur. Seus hinos a Inanna e a Nanna são os textos literários assinados mais antigos preservados.

Mitos

Nanna não é figura particularmente ativa nos mitos, embora seja central na estrutura cosmológica. Em alguns textos:

  • Empresta os “me’s da lua” a Inanna em sua viagem ao mundo inferior.
  • É consultado por outros deuses sobre questões de tempo, calendário, sortes.
  • Em Enlil e Ninlil, é o primogênito que precisa ascender do submundo ao céu.

Sincretismos

  • Sin (acadiano) — desenvolveu-se com características próprias, especialmente em Harrã: cosmocrata, “deus mais elevado”, em alguns períodos quase monoteísta. A última dinastia neobabilônica (Nabonido, séc. VI a.C.) promoveu Sin como deus supremo, em conflito com o clero de Marduk.
  • Yarikh cananeu — também lua, paralelos parciais.
  • Khonsu egípcio — lua masculina, comparável estruturalmente.
  • Selene/Luna greco-romanos não são equivalentes estruturais: na Mesopotâmia a lua é masculina; no Mediterrâneo helênico, feminina. Essa inversão de gênero da lua é um dos sincretismos que não funcionou.

Perspectiva do jogo

Em Mensageiros do Vento, Nanna aparece sobretudo como estrutura temporal — calendários rituais, ciclos lunares que controlam encontros, magias e eventos in-game. Em flashbacks acessíveis pelos Registros Akáshicos, aparece como pai de Inanna, figura cerimonial e paternalmente protetora. Sua relação com Enlil (seu pai) é ambivalente: filho do líder da facção opositora ao Demiurgo, mas não cúmplice deste.

Veja também

Relações

Sincretismos

  • Sin — Sin acadiano = Nanna sumério. Mesmo deus-lua.

Relacionados

  • Ishtar — Nanna é pai de Inanna; transição sumério→acadiano traz também Sin como pai de Ishtar.
  • Ur — Ur é a cidade de Nanna (Sin). Templo principal: E-kishnugal + Ziggurat de Ur-Nammu.