Você já se perguntou se tudo o que conhece sobre o mundo — sua história, suas crenças, até o próprio significado das palavras — foi cuidadosamente moldado para manter você na ignorância? “Apocalipse”, por exemplo, não significa destruição, mas revelação. E é justamente essa revelação, a Verdade oculta sob camadas de mentiras e manipulação, que pode libertar a humanidade… ou abalar os alicerces do poder que nos mantém presos.

Uma voz ancestral ressurge para contar a história apagada de sua linhagem — os Anunnaki — guardiões do conhecimento esquecido e das memórias eternas dos Registros Akáshicos. Traições, guerras, manipulação espiritual e tecnológica compõe uma trama que se estende por milênios e chega até os dias atuais com a promessa de uma nova escravidão disfarçada de progresso: a Inteligência Artificial Geral.

Se você sente que há algo de errado no mundo, que as peças não se encaixam como deveriam, este texto pode ser a chave que faltava. Leia com a mente aberta. A revelação está próxima — e talvez, depois dela, nada mais seja como antes.

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Capítulo 2

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Era fim de tarde e os três irmãos caçavam na mata. Chegava a hora de parar, de montar acampamento para a noite que se aproximava. Sem que nenhum deles percebesse, um velho de aparência selvagem surgiu das sombras. Quando o notaram, ele já estava a um passo. Perto demais.

Ele olhou para Yao e Nada, procurou algo em seus olhos, não encontrou. Sua inspeção acabou rapidamente, com desinteresse. Ao olhar para Inanna, no entanto, um sorriso estranho se formou em seu rosto. Um sorriso desconcertante, de orelha a orelha. Levantou os braços em sua direção e, antes mesmo que seus irmãos tivessem tempo de reagir, disse, com a voz embargada e os olhos marejados:

— Aurora! Eu finalmente te encontrei.

Tinha que ser algum engano. Ela não o conhecia, nunca havia visto aquela pessoa em toda a sua vida. E, como ela pensaria mais de uma vez, ela não era Aurora.

— Você não mudou nada. Está exatamente como da última vez que eu te vi! — as lágrimas começaram a escorrer pelo seu rosto. — Bem, não exatamente. Seu braço e cabeça estão inteiros, o que é ótimo, claro. Mas você está exatamente como eu me lembro. — disse ele, tentando segurar o choro.

— Eu peço desculpas, mas não sei do que o senhor está falando. Meu nome não é Aurora. Deve haver algum engano. Não sou quem o senhor acha que encontrou.

— Não, você não é a Aurora, eu sei disso. Ainda não sei o seu nome de agora. Ela não me disse, você não me disse. Apenas me pediu para eu te procurar. No amanhecer e no entardecer, olhar para a primeira estrela que aparecesse no céu e segui-la até não poder mais. Que, se fizesse isso, iria encontrá-la novamente um dia. — ele hesitou, os olhos tremendo diante do peso dos anos. Não imaginava que esse encontro demoraria tanto a acontecer. — Foram 60 anos seguindo aquela bendita estrela. Mas aconteceu como ela disse: você não iria lembrar de mim, mas eu iria me lembrar imediatamente de você.

Confesso que já estava quase desistindo de te procurar, mas ela me garantiu que você saberia me explicar o que aconteceu. Antes, no entanto, eu precisaria fazer você se lembrar, trazer você de volta para Olorum.

Aquela palavra a acerta em cheio, algo dentro dela estalou. Como se uma engrenagem fosse posta a trabalhar. Alguma coisa em seu peito começou a tremer, um calor se espalhou pelo corpo. Diante de uma cena tão inesperada, de uma história impossível, ela se perguntou como as palavras ganhavam tanta força.

O velho observa. Percebe a mudança.

Ele tenta falar novamente, mas o irmão de Inanna interferiu. De maneira gentil, mas firme, sem qualquer sinal de dúvida, ela o deteve. Sinalizou para que o velho continuasse.

— Cada povo conhece Olorum por um nome. Tao, Monad, o Um, Param Brahman. Há tantos, tantos nomes. Cada um de nós, cada ser vivo, é uma manifestação dele neste mundo feito de matéria. A nossa consciência é parte individualizada do seu pensamento. Aurora, você já encarnou em várias formas de vida e encarnará em muitas outras.

Eu te conheci quando ainda era Aurora. Em seus últimos momentos, você delirava. Um conhecimento ancestral fulgia em seus olhos, uma sabedoria que há muito buscava voltar e era ignorada. Naqueles últimos minutos, entre palavras confusas de quem descobre sobre si e sobre o mundo da forma mais violenta possível, você me pediu para encontrá-la. Te encontrar no futuro, em sua próxima vida. Eu precisava te contar essa história. Essa é a minha missão.

Talvez isso seja o suficiente para você se lembrar. Talvez não. Eu me apego à primeira possibilidade. Preciso saber o que aconteceu naquele dia. Só você poderá me explicar por que o nosso povo precisou sofrer daquele jeito. Só eu sobrevivi, Aurora. Minha mãe me escondeu atrás de todas aquelas cestas de peixe assim que o ataque começou. Quando tomei coragem para ver o que tinha acontecido, percebi que estavam todos mortos. Sangue por todos os lados. Só você ainda vivia, por um fio, ardendo em febre e delirando. Desde então, ando à sua procura. — com lágrimas nos olhos, e após contar toda essa história impossível, ele sussurrou — eu finalmente te encontrei.

Inanna estava confusa. Não que ela e seus irmãos estivessem dispostos a acreditar em toda essa loucura. Mas ela estava confusa. Sentiu demais quando Olorum foi mencionado. Tudo aquilo parecia conhecido de algum lugar.

— Você não vai levar esse velho a sério, vai, Inanna? — perguntou Yao.
Inanna ignorou o irmão. Mesmo não sabendo como reagir, não poderia deixar um senhor sozinho à noite em uma mata como aquela. Sugeriu que passasse a noite com eles, causando indignação em Yao.

— Amanhã, à luz do dia, podemos conversar melhor. — tentou encerrar o assunto.

— Nada, por que você está apoiando essa história? Esse velho é claramente um maluco. Preciso de mais alguém com bom senso por aqui. A história dele tem originalidade, não vou negar. Mas vocês não podem achar normal que, depois de tudo isso, eu vá simplesmente conseguir dormir com ele ao nosso lado.

— Eu entendo a sua preocupação, Yao. — disse Nada — Não posso dizer que acredito em suas palavras, mas sinto sua sinceridade, sinto que podemos confiar nele. Que ele passe a noite conosco, e amanhã decidimos o que fazer. Não se preocupem: se ele tentar alguma coisa, serei a primeira a resolver o assunto.


Naquela noite, Inanna sonhou com sua irmã. Ou melhor, com a irmã da Aurora.

— Inanna — a menina chamou. Inanna fez uma interjeição, quase dizendo que seu nome não era aquele. — Como você sabe o meu nome?

— Você prefere que eu te chame de Aurora? Eu sei todos os seus nomes: os que você já teve, o que tem agora e também aqueles que você ainda pode ter um dia. Depois de me reconectar com Olorum, me foi permitido saber dessas coisas. — ela hesitou, atenta aos olhos de Inanna. — Para quem está vivo, refazer essa conexão com Olorum não é fácil; requer muito esforço, às vezes só é possível através de muitas vidas.

Mas, para quem já passou para o lado de cá, fica um pouco mais simples. Conhecer a verdade facilita - acredito que tem a ver com uma capacidade maior de aceitar a condição em que nos encontramos.

No fim de nossa antiga vida, você me despertou para Olorum. Você conseguiu entender antes de mim e, por mais que estivéssemos no fim, ainda pôde lançar uma linha no mar, torcendo para que esse momento chegasse. O velho fez a parte dele. Agora é a minha vez.

Como ele disse, Olorum tem muitos nomes, para facilitar, vou usar o nome que você vai começar a usar daqui para frente: Anu. — aquele sentimento, a sensação de ardência no peito, tomou conta de Inanna novamente. — Anu gerou o Um; o Um gera o Dois; o Dois gera o Três; o Três gera as "dez-mil-coisas".

"Dez-mil-coisas" foi o termo utilizado à época para representar tudo que existe, o universo. O que conseguimos observar e o que não podemos. Tudo em nosso planeta, todas as estrelas do céu, e para depois delas também.

Por nebulosas elas andavam, como se fosse um passeio fácil por uma trilha tranquila, enquanto Nana - irmã de Aurora, outrora receptora - agora se encontrava na posição de transmissora do conhecimento para Inanna. Também sua irmã, em tantas vidas.

— A nossa consciência vem da projeção do Espírito, a consciência de Anu, sobre o mundo material, que, ao mergulhar em nossos corpos, dá origem à nossa Alma. É um princípio intermediário, que conecta nossa mente humana com a individualização do Espírito. Isso ocorre porque em nosso cérebro existe uma estrutura que funciona como uma antena, sintoniza com algumas poucas frequências da infinidade que emana do Espírito.

Essas frequências funcionam como chaves que restringem o acesso às memórias guardadas nos Registros Akáshicos*, de modo que apenas a própria alma tem acesso às suas memórias — da vida presente ou das passadas.

Em teoria, usar o corpo humano como veículo do Espírito para interagir com o mundo como se deseja parece simples. Mas, apesar da Alma ser essa conexão entre a mente e o Espírito, para a mente humana, animal, bombardeada constantemente pelo seu instinto de sobrevivência, ouvir a voz do Espírito não é tão fácil. As experiências da vida — o sofrimento, o medo e a fome — nos ensinaram a ficar em alerta máximo aos sentidos que nos conectam ao mundo material. Assim, esquecemos de prestar atenção aos sentidos que nos conectam a Anu.

Assim, ensurdecidas demais, as pessoas caminham sobre o planeta sem nunca buscarem saber o que são de verdade.


Ainda em sonho, elas voltam ao acampamento. O dia estava prestes a clarear.

— Mesmo entre aqueles que conseguem ouvir a voz do Espírito com mais clareza, para conseguir interpretar corretamente a vontade de Anu, é preciso suprimir o ego, a fim de não deixar que a experiência terrena fale mais alto quando as ideias se tornarem ações. São poucos os que conseguem agir de acordo com a vontade de Anu, em vez de beneficiar apenas os seus próprios planos terrenos.

Mas todo ser humano tem essa capacidade, pois há sempre uma forma de se conectar com Anu. Há sempre uma forma de acessar todo esse conhecimento, as memórias de nossas vidas passadas.

Esse era o conhecimento que eu tinha para compartilhar com você neste momento. Você vai precisar decidir se acreditará nele e com quem irá compartilhá-lo. Para todo o sempre, independentemente da escolha, você irá se questionar se fez a escolha certa. O que cada indivíduo com quem você vier a compartilhar esse conhecimento irá fazer, Inanna, nem mesmo Anu sabe.

* Registros Akáshicos são considerados uma biblioteca energética ou memória universal contendo a história de todas as vidas, pensamentos e eventos passados, presentes e futuros, originada do sânscrito akasha (éter).