[{"data":1,"prerenderedAt":161},["ShallowReactive",2],{"public-wiki-art-deuses-cananeus-asherah":3,"public-wiki-backlinks-deuses-cananeus-asherah":86},{"id":4,"slug":5,"title":6,"summary":7,"content":8,"status":9,"category":10,"authorId":16,"authorDisplayName":16,"coverAssetId":18,"tags":19,"infobox":26,"gameRef":16,"featured":37,"relations":38,"publishedAt":84,"createdAt":85,"updatedAt":85},56,"asherah","Asherah","Mãe-deusa cananeia, esposa de El. Soberana materna de 70 deuses. No Antigo Testamento, repetidamente associada — e condenada — como consorte popular de YHWH no Israel pré-exílico. Suas figurinhas-pilar são entre os artefatos cananeus mais comuns.",":::figure side=right size=medium\nsrc: https:\u002F\u002Fhomolog.core.mensageirosdovento.com:8443\u002Fstorage\u002Fassets\u002Fdad8a8cf-b055-4af7-b829-3f56776b5496.JPG\ncaption: Figurinhas-pilar de Asherah (séc. VIII–VII a.C.) — Hecht Museum, Israel\nsource: Wikimedia Commons\n:::\n\n## Nome e variantes\n\n**Asherah** (ugarítico **𐎀𐎘𐎗𐎚**, *ʾAṯiratu*; fenício *ʾšrt*; hebraico **אֲשֵׁרָה**, *ʾĂšērāh*) é a **mãe-deusa do panteão cananeu**, esposa de [[deuses-cananeus\u002Fel|El]] e **soberana materna de 70 deuses** segundo a tradição ugarítica.\n\nVariantes e epítetos:\n- **Athirat** (forma ugarítica direta).\n- **Athirat Yamm** (\"Athirat do Mar\") — epíteto recorrente.\n- **Elat** (\"a deusa\", feminino de El) — forma frequente.\n- **Qudshu** (\"a santa\") — em iconografia egípcia tardia.\n\n## Quem é, no panteão cananeu\n\nAsherah aparece nos textos ugaríticos como:\n\n- **Esposa de [[deuses-cananeus\u002Fel|El]]** — par cosmogônico do pai dos deuses.\n- **Mãe de 70 deuses** — soberana materna do panteão.\n- **Mediadora** — frequentemente intercede com El a favor de outros deuses (por exemplo, ajuda [[deuses-cananeus\u002Fbaal|Baal]] a obter permissão para o palácio).\n- **Associada ao mar** (Athirat Yamm) e à vegetação (poste sagrado, ver abaixo).\n\nA figura é **digna, materna, mediadora** — distinta do tom selvagem-bélico de [[deuses-cananeus\u002Fanat|Anat]] e do tom erótico-político de [[deuses-cananeus\u002Fastarte|Astarte]]. As três deusas formam **trindade feminina** do panteão cananeu, com funções distintas.\n\n## O Asherah-poste\n\nUm traço peculiar do culto de Asherah é o ***ašerah*** — **poste sagrado de madeira** plantado ao lado do altar, símbolo da deusa. O poste pode ter sido árvore viva, tronco esculpido, ou estaca lavrada — debate arqueológico segue.\n\nEsse **poste-deusa** persiste no Israel pré-exílico, integrado a santuários iahvistas locais. Os profetas (Jeremias, Oséias, Isaías) e a **reforma josiânica** (~622 a.C.) condenam e destroem postes de Asherah em todo o reino. A polêmica bíblica é prova arqueológica indireta de **quão difundido** era o culto.\n\n## Asherah, esposa de YHWH?\n\nUma das **questões mais debatidas da arqueologia bíblica recente** é a relação **YHWH–Asherah** no Israel pré-exílico:\n\n- **Inscrições de Kuntillet Ajrud** (Sinai, séc. VIII a.C.) e **Khirbet el-Qom** (séc. VIII a.C., Judá) trazem invocações a \"**YHWH e sua Asherah**\" — fórmula que parece tratar Asherah como **consorte oficial** de YHWH.\n- Várias dezenas de **figurinhas-pilar femininas** de cerâmica (séc. VIII–VI a.C.) — mais de 800 escavadas em Judá — são amplamente interpretadas como **representações domésticas de Asherah** preservadas em residências comuns.\n- A **reforma josiânica** (~622 a.C., II Reis 23) ordena explicitamente a remoção da **Asherah do Templo de Jerusalém** — atestação de que a deusa estava lá.\n\nA tese contemporânea aceita por consenso parcial: o **iahvismo popular pré-exílico** cultuava YHWH **em par com Asherah**, em estrutura paralela à de El-Athirat do panteão cananeu de que YHWH descende. O **monoteísmo monolátrico estrito** é desenvolvimento posterior (pós-exílico, ~séc. VI–V a.C.), com Asherah eliminada pela reforma deuteronomista.\n\nEssa **história da repressão de Asherah** é, sob a leitura sincrética, **uma das operações religiosas mais consequentes do Mediterrâneo antigo**: a divindade feminina paterna foi **deletada** do monoteísmo abraâmico, deixando uma teologia exclusivamente masculina por mais de dois milênios.\n\n## Sincretismos\n\n- **[[deuses-acadianos\u002Fishtar|Ishtar]]** (parcial) — paralelo materno; mas Asherah é mais doméstica, menos bélica.\n- **Quadshu\u002FQudshu** egípcia — Asherah absorvida no Egito tardio.\n- **Maria** católica (especulação tardia) — algumas leituras feministas da teologia veem em Maria **recuperação parcial inconsciente** do espaço deletado por Asherah. Tese controversa.\n- **Sophia** gnóstica (parcial) — figura feminina divina recuada, mediadora.\n\n## Perspectiva do jogo\n\nEm **Mensageiros do Vento**, Asherah é, sob a lente do jogo, **caso paradigmático de divindade feminina deletada por operação demiúrgica**.\n\nA trajetória **Asherah popular → Asherah condenada → Asherah apagada** é, sob a leitura akáshica, **uma das primeiras grandes operações de eliminação ritual** do feminino divino na história religiosa do Mediterrâneo. Antes da reforma josiânica, casas comuns em Judá tinham figurinhas-pilar da deusa. Depois, **nenhuma**. A operação foi **completa em uma geração**.\n\nSob a leitura crítica do jogo, isso é **arquitetura demiúrgica em ação**: **eliminar a mediação feminina** entre o humano e o divino fortalece a estrutura hierárquica vertical (sacerdócio masculino → divindade masculina → fiel masculino, com a mulher como receptora passiva). A trindade feminina cananeia (Asherah, [[deuses-cananeus\u002Fastarte|Astarte]], [[deuses-cananeus\u002Fanat|Anat]]) **operava espaços femininos rituais e cultuais autônomos** — espaços que o monoteísmo deuteronomista **fechou**.\n\nOs Mensageiros que estudam a história do feminino divino no Mediterrâneo identificam **Asherah como inflexão crítica**. Antes dela, o feminino divino era **dado**; depois dela, **gradualmente apagado**. As cadeias [[deuses-sumerios\u002Finanna|Inanna]]→[[deuses-romanos\u002Fvenus|Vênus]] e [[deuses-gregos\u002Fpersefone|Persefone]]→[[deuses-romanos\u002Fproserpina|Proserpina]] permanecem **paganamente** no Mediterrâneo greco-romano até serem deslocadas pelo cristianismo séculos depois. **Asherah caiu primeiro**, sob iahvismo.\n\nA recuperação parcial de Asherah na arqueologia bíblica moderna (Kuntillet Ajrud, figurinhas-pilar) é, sob a leitura akáshica, **gesto de reparação memorial** — devolução do que foi apagado por reforma religiosa. Os Mensageiros sabem que essa **devolução é sempre incompleta**, mas é onde se pode começar.\n\n## Veja também\n\n- [[deuses-cananeus\u002Fel|El]] (esposo)\n- [[deuses-cananeus\u002Fbaal|Baal]] (filho, em algumas tradições)\n- [[deuses-cananeus\u002Fanat|Anat]] (par feminino)\n- [[deuses-cananeus\u002Fastarte|Astarte]] (par feminino)\n- [[lugares-antigos\u002Fugarit|Ugarit]] (fonte textual primária)\n- [[conceitos\u002Fsincretismo|Sincretismo]]\n- [[conceitos\u002Fdemiurgo|Demiurgo]]","PUBLISHED",{"id":11,"slug":12,"name":13,"description":14,"sortOrder":15,"iconAssetId":16,"coverAssetId":16,"createdAt":17,"updatedAt":17},4,"deuses-cananeus","Deuses cananeus","Panteão cananeu\u002Ffenício (~2000 a.C. em diante): El, Baal, Asherah, Astarte, Anat. 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